“Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei”. Ezequiel 22:30
À medida que nos aproximamos do fim, os heróis da fé, os poucos homens que ao longo dos anos se colocavam corajosamente ao lado de Deus, que “… mesmo em face da morte não amaram a sua própria vida” (Apocalipse 12:11) estão se retirando de cenário. Homens que “… passaram pela prova de escárnio e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio da espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelha e de cabra, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra…” (Hebreus 11:36-38). O povo de Deus nos últimos dias está sendo embalado em uma espessa nuvem de incredulidade, até chegar ao ponto no qual Deus mesmo diz em sua Palavra: “… porque és morno e nem és quente nem frio estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. (Apoc. 3:16). Onde se encontra o verdadeiro povo de Deus? Um povo que não recue, não por confiar na sua própria força, mas por saber que na frente desse exército está o Senhor dos Exércitos. “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Jos. 1:9). Deus tem procurado esses homens valentes nos últimos dias. Conforme está escrito no livro de Ezequiel, homens que estejam dispostos a tapar o muro que tem sido danificado… Mas que muro é esse?
O Muro de proteção
No livro de Isaías encontramos a resposta para esta indagação: “Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR… Por isso, assim diz o Santo de Israel: porquanto rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e perversidade, e sobre isso vos estribais, por isso esta maldade vos será como a brecha de um alto muro que, formando uma barriga, está prestes a cair e cuja quebra virá subitamente (Isa.30:9-13). A Lei de Deus é representada em Sua Palavra pelo grande muro que protegia a cidade de Jerusalém. Quando o povo pecava contra Deus, conforme o texto de Isaías, o Senhor simbolizava esse pecado como brechas que eram feitas nos muros da cidade, para mostrar que pela transgressão, o povo estava se colocando em condições de serem vencidos pelo verdadeiro inimigo das almas, Satanás. As brechas e o danificar os muros, representam portanto os nossos pecados. Sendo assim, percebemos que nos dias de Ezequiel a condição espiritual do povo não era diferente, pois o Senhor mesmo disse que os muros estavam sendo novamente danificados (a lei de Deus sendo transgredida), as brechas estavam cada vez maiores (pecados que dia após dia se tornavam mais comuns) e o pior, não havia um homem que estivesse disposto a lutar contra essa condição. A situação ganha ainda mais horror quando no livro de Ezequiel Deus apresenta o seguinte relato:
“Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram! Os teus profetas, ó Israel, são como raposas nos desertos. Não subistes às brechas, nem reparastes o muro para a casa de Israel, para estardes firmes na peleja no dia do SENHOR. Viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra. Porventura não tivestes visão de vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O SENHOR diz, sendo que eu tal não falei? Portanto assim diz o Senhor DEUS: Como tendes falado vaidade, e visto a mentira, portanto eis que eu sou contra vós, diz o Senhor DEUS. E a minha mão será contra os profetas que veem vaidade e que adivinham mentira; não estarão na congregação do meu povo, nem nos registros da casa de Israel se escreverão, nem entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor DEUS. Porquanto, sim, porquanto andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz; e quando um edifica uma parede, eis que outros a cobrem com argamassa não temperada; Dize aos que a cobrem com argamassa não temperada que ela cairá. Haverá uma grande pancada de chuva, e vós, ó pedras grandes de saraiva, caireis, e um vento tempestuoso a fenderá”. Ezequiel 13:3-11
Ao procurar os homens que estivessem dispostos a reparar as brechas, a tapar os muros, a lutar contra os pecados e as abominações que se cometiam no meio de Jerusalém, o Senhor, além de não encontrar nenhum homem através do qual pudesse atuar, Ele ainda vê pessoas que se passavam por homens de Deus, agindo falsamente para encobrir os pecados que eram cometidos no meio do povo, dizendo coisas mentirosas como se Deus fosse Aquele que estivesse falando através deles. Com isso, as rupturas no muro se tornavam cada vez maiores e as rupturas que já existiam eram cada vez mais abertas, na medida que novos fragmentos iam sendo abertos no muro que o Senhor Deus havia edificado para proteção e cuidado do Seu povo. Pecados que antes eram vistos de forma abominável pelo povo, se tornaram parte das suas práticas diárias, o povo dia após dia pisava abertamente na Lei do Senhor que fora estabelecida no meio do Seu povo para ser um muro de proteção. Por essa razão o Senhor envia uma última mensagem para o povo dizendo: “Por isso, eu derramei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o Senhor Deus” (Ezequiel 22:31).
Novamente a história se repete. Nós estamos vivendo nos últimos dias da história desse mundo, a grande controvérsia entre Cristo e Satanás está chegando perto do seu fim e o mundo se entrega cada vez mais a prostituição, idolatria, relacionamentos completamente desaprovados por Deus que são contrários a natureza; o povo de Deus como vimos, é um povo morno, se sentindo rico sem saber que é miserável, pobre, cego e nu (Apoc. 3:17), bebe aquilo que Babilônia está lhe oferecendo para beber ao ponto de estar embriagado e não possuir mais discernimento espiritual. A apostasia e as trevas morais tomam conta do mundo e do povo que se chama pelo nome do Senhor, os cristão.
A principal ruptura no muro
Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. E os seus profetas têm feito para eles cobertura com argamassa não temperada, profetizando vaidade, adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor DEUS; sem que o SENHOR tivesse falado. (Ezequiel 22:26-28)
O sábado, o quarto mandamento da Lei de Deus está sendo profanado. A palavra profanar significa tratar com indiferença, com desrespeito, com irreverência as coisas sagradas; é você deliberadamente ignorar algo que foi santificado, ou separado por Deus para um fim sagrado, neste caso o sábado. Nós sabemos que a Lei do Senhor é constituída por 10 mandamentos, os quais foram escritos com o dedo do próprio Deus (Deut. 9:10), em tábuas de pedra, (material usado para fazer os muros da época) demonstrando não só a força protetora, mas também a perpetuidade com a qual os mandamentos do Senhor deveriam ser considerados. Mas não é o que aconteceu. O povo de Deus, ao longo do desenvolvimento do cristianismo, começou a se prostituir com os pagãos e costumes desses povos começaram a ser introduzidos no meio do povo. A guarda do primeiro dia da semana, o domingo, que era desde o estabelecimento de Babilônia como um império, um costume entre esse povo pagão, foi determinantemente estabelecido entre o povo de Deus no ano de 364 d.C. conhecido pela história como o Concílio de Laodicéia, no qual Constantino proíbe os Cristão de guardarem o sábado. Aqueles que tentaram se opor a essas mudanças passaram pelas mais terríveis atrocidades que já foram registradas pelas páginas da história. O costume entrou no meio do povo de Deus, e embriagado com esse vinho espúrio, foi aceita essa suposta mudança na Lei do Senhor como se essa mudança fosse ordenada por Deus. Mas a muitos séculos atrás, Deus já anunciava o que ocorreria, que o sábado seria profanado e que simbolicamente o muro seria danificado, demonstrando que a sua Lei seria danificada (modificada).
“E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardando a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição”(Marcos 7:7-9). Essas são as palavras de Jesus que ainda ecoam no meio do Seu povo nos dias de hoje. E em outra oportunidade, o Apóstolo Paulo insta o povo de Deus a estudar as páginas das Sagradas Escrituras por uma razão específica: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”(II Tim. 4:3-4). Fábulas são histórias criadas, são lendas que o povo inventa, mas que passam de geração a geração e se tornam bem conhecidas no meio do povo e contadas pelas pessoas. É assim que Deus considera tudo aquilo que ultrapasse o que Ele estabeleceu em Sua Palavra, doutrinas falsas que são inseridas no mundo cristão através de fatos não escriturísticos e que as pessoas aceitam e passam de geração após geração como se fossem verdades. Todos esses erros precisarão ser corrigidos, porém o povo não poderá usar “argamassa não temperada”, falsos ensinamentos, mensagens que desvirtuam o verdadeiro propósito do evangelho, colocando-os em lugar da única verdade capaz de manter o muro em pé.
“Mostrou-me também isto: eis que o Senhor estava sobre um muro levantado a prumo; e tinha um prumo na mão. O SENHOR me disse: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então, me disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo de Israel…” (Amós 7:7-8). O prumo é um instrumento usado na construção civil para verificar a retidão exata de uma parede, e esse será o padrão que Deus usará. Colocará um fio de prumo para verificar se aquilo que está sendo apresentado está de acordo com a retidão e a exatidão estabelecida por Ele na Sua Lei, no muro que Ele mesmo edificou em redor do Seu povo.
A Restauração
Nesses últimos dias, assim como no passado, Deus está a procura de homens que estejam dispostos a levantar o estandarte da verdade. Homens que não tenham perdido o senso de missão e a sua identidade, mesmo vivendo em meio a um mundo pecador. Talvez nesse momento você esteja com a seguinte dúvida: Mas então qual é a minha identidade e qual é a minha missão? Vamos deixar que a Palavra de Deus nos responda:
“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. (Fil. 3:19)
Se você e eu aceitamos a Jesus como nosso Salvador, se você e eu nos colocamos em condições para que em nome de Jesus sejamos adotados na família celestial, Deus nos dá as boas vindas, pois a partir de agora nós somos cidadãos celestiais. Nossa pátria é o céu e Deus espera agora sim, que como um verdadeiro patriota nós lutemos pela nossa pátria, pois afinal, Deus não somente nos chamou para sermos cidadãos, como também nos deu um importante cargo que demonstra nosso patriotismo e nosso amor pelo país que fomos enviados, pois “…somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio…” (II Cor. 5:20). Um embaixador é enviado a um outro país com o objetivo de representar o país pelo qual ele foi enviado. Não tem nada que ver com o país onde ele estará. Deve estar ali apenas com o objetivo de representar a sua nação. Como vimos, nossa identidade é cristã, pois Cristo é aquele que conseguiu para todo aquele que o aceita o direito à cidadania celestial, nunca podemos esquecer que pertencemos a Jesus, que somos como que nascidos de Deus, possuidores da cidadania celestial quando O aceitamos como nosso Salvador. Essa é a nossa identidade. Quando digo que sou cristão, é como se dissesse que pertenço a Jesus, que vivo como Ele viveu, que amo o que Ele ama e que aborreço o que Ele aborrece. Tem sido essa a nossa atitude ou estamos dispostos a vender o nosso direito de cidadania assim como fez Esaú?
Entendendo melhor a nossa identidade, descobrimos agora que temos um cargo de embaixadores, enviados pelo céu a este mundo, e com este cargo, fomos enviados com o único propósito de cumprir uma missão especial. Essa missão, é encontrada com base no cumprimento de uma promessa feita por Deus ao Seu povo, promessa a qual o Senhor aguarda ansiosamente ver o cumprimento quando Ele diz: “Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e reparador de veredas…” (Isaías 58:12). Essa é a nossa real missão; somos chamados para ser reparadores de brechas, e são homens como esses que o Pai tem procurado no meio do Seu povo. Homens de fé e coragem, homens que estejam dispostos a ser usados por Deus segundo a boa vontade dEle, pois, embora existam milhares e milhares de pessoas ao redor do mundo que se dizem cristãs, o Senhor Deus apresenta o verdadeiro caráter da maior parte desse povo: “Eles vem a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31).
O exemplo de Daniel
Daniel, um jovem, que no seu nome carrega a característica do povo de Deus que viveria nos últimos dias. Daniel significa “Deus meu Juiz”. O povo de Deus nos últimos dias, foi caracterizado em Apocalipse 3 pela igreja de Laodicéia que significa “Povo do juízo”. Laodicéia é a condição na qual se encontra o povo de Deus na atualidade, condição deplorável, condição de perdição. Daniel é o exemplo vivo do que Deus espera de Seu povo do juízo nos dias que vivemos. Você deseja conhecer mais a fundo a sua missão? Deseja estar entre aqueles que são considerados e lembrados por toda a eternidade como reparadores de brechas? Em breve, com base na vida desse jovem valoroso aos olhos de Deus, veremos mais a fundo como Daniel cumpriu sua missão nos dias que ele viveu dando o exemplo de como também nós devemos cumprir nossa missão nos dias que estamos vivendo, pois o mesmo Espírito que operava na vida de Daniel no passado é o que está a nossa disposição nos dias de hoje para que sejamos fiéis como ele foi nesse último tempo de juízo.
Que Deus te abençoe!
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